7.2.17

volta o cão arrependido

pois é, vez ou outra eu volto.
geralmente quando tá vazio ou quando dói demais.

não queria ser um fardo, apesar de você afirmar com veemência que não sou um problema. eu te gosto demais e acho que você é o amor da minha vida.
é engraçado né? que a gente se acostume a falar sobre amores sortidos, amores não concretizados e idealizados, e quando o amor chega mesmo, a gente já não sabe mais como falar sobre isso.

e eu pensei durante tantos anos que minhas grandes questões da vida eram amorosas. acho que todo esse tempo me distraí do ponto principal. quando eu te vi pela primeira vez, soube que queria ficar perto dessa paz que você exala. e quando a gente se amou, acho que minha distração se partiu.
e percebi que tô perdida. eu tô perdida há muito tempo.
eu fui embora porque precisava me encontrar.
e hoje procuro textos, desenhos, sentimentos antigos meus, tentando encontrar partes minhas mal resolvidas. eu volto no passado de vez em quando, vasculhando meus pedaços.

não sei o que vai ser daqui pra frente.

21.6.16

meio quarto de século

não quero condenar a nova era das imagens e das frases curtas que a modernidade trouxe, mas sinto um pouco de falta da época dos blogs. há, talvez, 10 ou 12 anos. e falando assim me sinto aquela tia velha.
quer dizer, é claro que o que você escreve também tem a ver com a imagem que quer mostrar de si, mas ainda é um pouco mais honesto do que as fotos de vida perfeita das redes sociais.

porque as palavras não se importam se você é branco, negro, mulher, homossexual, se usa roupa de marca ou se gosta de ovos fritos no café da manhã. através dos textos dos blogs eu me sentia mais perto do coração das pessoas. fossem meus amigos próximos ou o colega do trabalho com quem nunca tive oportunidade de conversar.
hoje me sinto estrangeira em todo lugar que não seja dentro de mim.
me sinto distante.

6.6.15

"Às vezes eu não faço idéia do que fazer pra melhorar minha estadia aqui. Ontem estava pensando que faltava assistir filmes, coisa que gosto muito e não faço há muito tempo e ler livros que tenho vontade. Mas hoje desanimei novamente com tudo. Tem dias que me sinto muito só."

2011 e tudo o que mudou para 2015 foi a reforma ortográfica.

7.2.15

schweppes com cachaça

conversa antiga com alguém que no lugar do nome aparece "facebook user".
(um termo genérico pra designar uma pessoa que deletou o próprio facebook)

facebook user manda um arquivo de roteiro. explica-o: "o garoto não seguiu seu sonho, a garota na verdade é a personificação da consciência dele. falo sobre dom casmurro porque acho que serei um bentinho no futuro, vou amar alguém e serei um idiota e ela vai me deixar. você: meu amor. mas só posso ser padrinho"

ignorei metade, não entendi. nem me esforcei pra falar a verdade. só compreendi quando reli: 2 anos depois. será que você me amava?

"porra, o bruno se matou".

e de repente me deu um medo gigante de que você sumisse também.

14.11.14

paralelo

quando eu era adolescente, minhas descrições de perfil costumavam ser:
"finding a way to save the world"
hoje em dia se tornaram mais:
"finding a way to me sentir menos hipócrita"

bem-vinda, vida adulta.

2.7.14

ordem

- eu queria perguntar se você tem raiva de mim.
- raiva não, mas muito ressentimento.

4 meses depois, em um sábado, me avisaram que ele tinha falecido na sexta-feira. e então, fiquei com muita, mas muita raiva.

20.6.14

paradoxo

apesar de toda vontade de liberdade, libertinagem e desprendimento. apesar da busca incessante pelo desapego ao ego, à individualidade. as mil leituras semanais sobre como as mulheres do século 21 começam a se tornar independentes e autônomas. os estudos acadêmicos sobre as diferentes formas de amar, a aceitação do eu e do próprio corpo. apesar de ter conhecimento das gigantes possibilidades afetivas que a cidade maravilhosa pode oferecer aos indivíduos a cada dia.

eu não quero ser a sua pessoa de domingo a noite.

21.5.14

esqueci meu nome

a vista de todo dia da praia de botafogo faz parecer que sempre foi assim, lindo.
crescer no concreto de são paulo deixa pouca vazão para o estresse, para as tristezas. coisa que aqui no rio a maré leva embora e amanhã já está tudo bem.
me perdi entrecortando os arcos da lapa e tudo fez tanto sentido. e eu agradeci a cada passo que me trouxe aqui meio sem querer. como tudo deu tão certo.

naquele dia, eu prendi o dedo na porta e sangrou à beça. eu ri, a gente achou tudo muito engraçado.

quanto tempo será que resta até a vida me carregar para outra cidade?

20.2.14

às vezes eu penso que quando a gente se encontrar, eu não vou nem perceber.

2.1.14

sobre o passado

as pessoas mais próximas reconhecem que algum desenho ou texto é meu quando percebem alguma sombra de você nas criações.
acho um pouco engraçado. e um pouco doloroso.