2.7.14

ordem

- eu queria perguntar se você tem raiva de mim.
- raiva não, mas muito ressentimento.

4 meses depois, em um sábado, me avisaram que ele tinha falecido na sexta-feira. e então, fiquei com muita, mas muita raiva.

20.6.14

paradoxo

apesar de toda vontade de liberdade, libertinagem e desprendimento. apesar da busca incessante pelo desapego ao ego, à individualidade. as mil leituras semanais sobre como as mulheres do século 21 começam a se tornar independentes e autônomas. os estudos acadêmicos sobre as diferentes formas de amar, a aceitação do eu e do próprio corpo. apesar de ter conhecimento das gigantes possibilidades afetivas que a cidade maravilhosa pode oferecer aos indivíduos a cada dia.

eu não quero ser a sua pessoa de domingo a noite.

21.5.14

esqueci meu nome

a vista de todo dia da praia de botafogo faz parecer que sempre foi assim, lindo.
crescer no concreto de são paulo deixa pouca vazão para o estresse, para as tristezas. coisa que aqui no rio a maré leva embora e amanhã já está tudo bem.
me perdi entrecortando os arcos da lapa e tudo fez tanto sentido. e eu agradeci a cada passo que me trouxe aqui meio sem querer. como tudo deu tão certo.

naquele dia, eu prendi o dedo na porta e sangrou à beça. eu ri, a gente achou tudo muito engraçado.

quanto tempo será que resta até a vida me carregar para outra cidade?

24.2.14

pode errar

- eu vou acabar me apaixonando. e você vai me foder.

com essa frase a tempestuosa insegurança veio me alertar sobre o fato de que já estava possuindo mais de 75% do meu corpo (sabe, água?). e que andei me agarrando a ela como se fosse desidratar.

da vida: passo metade do tempo lutando contra minha vaidade. e a outra metade, contra minha hipocrisia. metade de mim é amor e a outra metade... é dissimulação.
[será que amar é mesmo uma escolha? dessas que pessoas como nós (digo, eu e você que me manda whatsapp evasivo de madrugada depois de mais de ano de término) não se permitem usufruir para não se adentrar no universo da vulnerabilidade? (segredo: nunca falei 'eu te amo' primeiro)]

alguns bons anos saindo em perseguição à independência. à capacidade de não precisar de ninguém. nunca. de sobreviver sozinha, trabalhando mais horas que dormindo, correndo sem companhia no aterro do flamengo às oito da noite. e se o pote de maionese estiver impossível de abrir, vai sem maionese. negando a existência de qualquer tipo de fragilidade.

do futuro: seguir sem medo. mas se tiver medo, tudo bem também.

20.2.14

às vezes eu penso que quando a gente se encontrar, eu não vou nem perceber.

2.1.14

sobre o passado

as pessoas mais próximas reconhecem que algum desenho ou texto é meu quando percebem alguma sombra de você nas criações.
acho um pouco engraçado. e um pouco doloroso.

24.12.13

é claro que em meio a todas as partidas e todos os planos de nunca me manter no mesmo lugar, eu procuro um motivo pra ficar.

31.10.13

para além

imagina o homem bala sendo arremessado do canhão. voando através das dionísias constelações. o pergaminho cheio de setas é o gps dos corações perdidos. não tem bússola, não tem guia, é sua interpretação.
um cometa trafega rasante e é preciso fazer um pedido. os olhos fechados desejam hoje e amanhã mais do que tudo: eu quero o infinito.

11.9.13

e mesmo quando tem muito de mim, me falta um tanto. me falta pouco.
falta tudo.
(ainda que, de fato, nada falte)
e quando me falta demais no peito, falto às aulas. fujo e corro.

não adianta, nasci faltando.

5.7.13

a noite, tropeços são certos

- deixa eu te falar uma coisa, gata. não tenho preconceito musical, eu só não gosto de música de má qualidade técnica. e tulipa ruiz, olha, é ruim demais!

- agradeço a todos os deuses por ter tido a cara-de-pau de te entregar aquele bilhete.
- te achei topetudo.
- topetudo?
- com todo esse topete aí, achando que tava me manjando.
- mas eu tava, não tava?
- é. tava.

- a gente tem mania de ficar remoendo o passado e inventando o futuro. às vezes eu acho que é só quando a gente beija que a gente consegue se manter no presente.

- pequena, olha que engraçado. tava lembrando aqui da gente bêbado na rua, cantando tulipa ruiz.